O Retro Gaming está na moda. Pelo menos entre os geeks está na moda, e por isso a Capcom decidiu ir buscar um clássico com 20 anos e faze-lo de novo para as consolas de última geração. Bionic Commando estreou-se há duas décadas na NES, e chega agora “Rearmed” à PS3, via download na PlayStation Network.
Bionic Commando é um jogo de acção em duas dimensões, onde controlamos um super-soldado, equipado com um braço muito especial. Esse braço biónico lança um gancho que se prende à maioria das superfícies e nos faz baloiçar com tal eficácia que o próprio Tarzan ficaria com inveja. Apesar da lógica ser muito simples, vão precisar de cair muitas vezes até dominarem a execução de todos os movimentos.
Este braço é fundamental porque o nosso herói não salta. É verdade, este jogo tem muitas plataformas e o protagonista é incapaz de um simples salto! Aceitem esse facto com naturalidade, se não fosse assim o jogo não teria o seu encanto muito particular. O gancho é portanto o meio para subir plataformas, dar saltos, contornar obstáculos, puxar objectos, etc… Nathan Spencer não seria capaz de sair do primeiro nível se não fosse o seu gancho.
É claro que além do braço biónico também temos um vasto arsenal à nossa disposição. Rocket launcher, machinegun, vector cannon, etc… e os respectivos upgrades, são capazes de semear a destruição. Só tenho uma dúvida, que vale para este e para outros jogos: alguém é capaz de me explicar porque é que morremos quando tocamos num soldado inimigo? Se alguém tem que morrer, porque é que não morrem os outros?
A inteligência artificial dos inimigos é simples mas eficaz, e por vezes consegue ser surpreendente. Estamos habituados a ver comportamentos muito previsíveis neste tipo de jogos, e nem sempre isso acontece em Bionic Commando Rearmed. Os soldados saltam sobre barreiras para se protegerem e por vezes saem do local que estão a guardar para vir atrás de nós.

Conduz o helicóptero com cuidado.
Teoricamente o exército inimigo é o maior perigo, mas na prática não é bem assim. A maior dificuldade do jogo está nas plataformas e no timming necessário para chegar a certos locais. Ao longo do jogo vamos adquirindo armas cada vez mais poderosas, e os inimigos são carne para canhão.
Apesar de 90% do jogo se passar na tradicional vista bidimensional de perfil, há mais que fazer em Bionic Commando Rearmed. Tudo começa num mapa onde pilotamos o nosso helicoptero de nível em nível. Só que enquanto nos deslocamos para o nível seguinte podemos ser interceptados, e nesse caso temos que jogar uma secção vista de cima e destruir as armas inimigas. Estes desafios não são tão divertidos como o resto do jogo, mas servem para desenjoar.
A meio dos níveis também temos direito a um mini-jogo completamente diferente. Temos a hipótese de hackar o sistema de comunicações inimigo, através de um pequeno puzzle tridimensional. Nesta altura tiramos o dedo do gatilho e pomos o cerebro a funcionar, a recompensa são informações úteis para o resto da missão.
Apesar do jogo ser uma réplica do seu parente pré-histórico, Bionic Commando Rearmed tem gráficos excelentes com cores vibrantes. As animações são fantásticas e tudo corre sem qualquer soluço. A música tipica de videojogo marca o ritmo, num misto de modernidade e homenagem ao passado.

Saltar? Não, baloiçar.
O que ficou mesmo à moda antiga foram os diálogos. Não há vozes, apenas linhas de texto, mas são hilariantes. Penso que a Capcom preferiu usar o texto simples porque assim tem mais piada.
A grande novidade desta versão Rearmed é o multiplayer. Dois jogadores podem percorrer todo o jogo em modo cooperativo. Infelizmente não é possível faze-lo através da internet, portanto vão ter que convidar um amigo para jogar em vossa casa. Durante um jogo a dois o split-screen é evitado sempre que os jogadores estão perto um do outro. Este sistema é levado até ao limite através de um zoom inteligente que se afasta para manter os dois jogadores no mesmo ecrã. Quando já não é possível afastar mais, o ecrã divide-se em dois, o que torna muito mais complicadas as manobras entre plataformas.
Existe ainda um jogo multiplayer até 4 jogadores, todos contra todos. Aqui o objectivo é matar os outros jogadores, mas este é o modo mais fraco de Bionic Commando Rearmed. Por último temos uma série de desafios cronometrados onde podemos bater records numa espécie de Jogos Olímpicos do braço biónico. Só aqueles que realmente dominam o braço vão conseguir chegar ao fim.
Para concluir, Bionic Commando Rearmed é um jogo completamente renovado de maneira exemplar. Assim dá gosto voltar aos jogos de há 20 anos. Este jogo é um dos downloads mais interessantes da PlayStation Network, e supera muitos jogos modernos. Por mim a Capcom pode continuar a dar nova vida aos seus velhos clássicos.
Bionic Commando fue bien, IDK si valía la pena aunque 10 dólares.