Escrito por Fernando Amaral on September 20, 2007

Heavenly Sword

Heavenly Sword é mais do que um jogo, é uma mega-produção que envolveu técnicas cinematográficas, anos de produção e um orçamento muito generoso. Tudo em Heavenly Sword se assemelha a um blockbuster de Hollywood, desde os making-of lançados na internet às interpretações dos actores capturadas digitalmente, passando pela majestosa banda sonora. As espectativas eram portanto altíssimas, será que Nariko e companhia estão à altura do desafio?

A bela Nariko... *suspiro*
A bela Nariko… *suspiro*

A história que antecede o jogo já toda a gente sabe, a bela Nariko não devia ter nascido. No seu lugar era esperado um homem, um guerreiro divino que seria o portador legitimo da Heavenly Sword. Nariko é treinada pelo pai na arte da guerra, mas vive com o peso de ser a maldição do seu clã.

Heavenly Sword pega neste cenário e vai contar-nos uma história, portanto sentem-se no sofá, baixem as luzes e preparem as pipocas. Quando inserimos o Blu-Ray pela primeira vez são copiados mais de 2 gigas de dados para o disco da PS3. São uns bons minutos de espera que valem a pena, pois os loadings durante o jogo são rápidos de modo a não estragar a experiência. Podemos optar por jogar com a dobragem em português ou manter as vozes originais com legendas.

O início do jogo coloca-nos no meio de uma gigantesca batalha com milhares de inimigos a atacar-nos por todos os lados, uma cena épica duma dimensão nunca vista. Há soldados até perder de vista, e todos eles podem ser confrontados. Mas não para já, depois de alguns golpes e muitos corpos pelos ares o jogo para subitamente e surge o menu principal. O resto da batalha ficará para mais tarde, porque agora somos transportados 5 dias atrás no tempo. Tal e qual os filmes onde começamos por ver uma cena dramática e depois recuamos no tempo para assistir à sequência de eventos que levou a tal desfecho.

o primeiro capitulo serve para aprender a jogar, com instruções a surgirem constantemente no ecrã. Mas nem por isso a acção é menos intensa, temos que lutar com todo o empenho desde o primeiro instante. Torna-se imediatamente óbvio que os movimentos de Nariko são de uma imensa beleza, tornando cada batalha numa especie de bailado sangrento extremamente apetecível.

Como estamos perante um “jogo-filme”, é natural que a camara tenha vida própria, dando sempre o melhor ângulo da acção e fazendo zoom-in e zoom-out. Há momentos no calor do combate em que golpes absolutamente memoráveis são vistos em grande plano e câmara-lenta.

Toma gordo!
Toma, gordo!

Os combates com espada são sempre muito animados, com muita gente a querer dar o seu contributo. As ondas de soldados inimigos sucedem-se e é comum haver membros do nosso clã a ajudar à festa. Tanta acção poderia ser confusa demais, mas não é o caso, o jogo é intuitivo até na batalha final onde centenas de corpos tombam à nossa volta.

A dado momento notamos que ainda falta qualquer coisa importante… a Heavenly Sword! A espada que dá o nome ao jogo é um personagem por direito próprio, e só entra em cena depois de meia hora de combates. Nessa altura a Nariko recebe a espada do seu pai, mas apenas para a proteger, ainda temos de esperar mais algum tempo antes de a poder usar.

O momento em que a Heavenly Sword entra em jogo é dramático, uma escolha impossível de Nariko que marcará a sua vida para sempre. Com a Heavenly Sword nas mãos os ataques multiplicam-se e aquilo que já era belo torna-se sublime. Há 3 modos para atacar (e defender). Ataques rápidos, de execução simples e eficientes a curtas distâncias. Ataques longos de pouco impacto mas grande alcance que podem atingir muitos inimigos ao mesmo tempo. E por fim, ataques poderosos que causam grandes danos mas são de execução lenta e nos deixam vulneráveis.

Os nossos inimigos usam os mesmos 3 modos que são assinalados por uma aura colorida momentos antes do golpe, o que nos permite fazer a defesa correspondente. Existem ainda os “superstyles”, golpes poderosíssimos que arrasam com uma dúzia de inimigos duma vez. Tudo isto se combina de forma fluída para criar combates intensos e variados.

Kai, a irmã mais nova de Nariko, é a segunda personagem jogável. Com movimentos felinos e sempre pronta a disparar as suas flechas, Kai proporciona um estilo de jogo muito diferente de Nariko. Depois de várias tentativas falhadas ou forçadas de usar o sensor de movimento do SIXAXIS em jogos da PS3, Heavenly Sword acertou em cheio. As setas que Kai dispara são controladas em pleno voo com o SIXAXIS e o resultado é exceletne. Este sistema é utilizado em várias situações ao longo do jogo e o domínio do comando torna-se essencial.

O combate dá um gozo tremendo.
O combate dá um gozo tremendo.

Durante o jogo podemos interagir com uma boa parte do magnifico ambiente, pegar em barris, caixotes, armas e até corpos dos inimigos que acabamos de matar, e atira-los contra o que nos apetecer. Mais uma vez o SIXAXIS entra em acção para garantir que acertamos no alvo.

Mais do que um simples jogo, Heavenly Sword é uma obra de arte. Os cenários, os personagens e a animação foram criados por artistas talentosos e o resultado é de uma beleza única em videojogos. Foram actores que deram vida a heróis e vilões, e foram actores bem conhecidos da nossa praça que dobraram o jogo em português. A música foi criada para acompanhar todos os passos da saga de Nariko e merece ser apreciada com atenção. A própria Nariko nos seus trajes reduzidos é uma obra de arte que não nos fartamos de contemplar.

Os personagens são dos mais interessantes alguma vez vistos num jogo. Sobre a bela e frágil Nariko e a sua espada nem há palavras. Kai é apenas uma criança e parece viver num mundo próprio, talvez porque viu a mãe ser assassinada à sua frente. O pai de ambas vive com o peso de ser o líder do Clã e o único educador das filhas. Do lado dos vilões temos um rei malvado mas com um humor negro brilhante, um filho bastardo que é uma aberração, uma estranha criatura de lingua bifida e um general em quem ninguém confia.

Provavelmente a batalha mais épica que uma mulher já enfrentou.
Provavelmente a batalha mais épica que uma mulher já enfrentou.

Heavenly Sword faz lembrar os filmes 300 e O Senhor dos Aneis, mas neste caso a espada e o arco estão nas nossas mãos. Infelizmente, não por muito tempo, porque a curta duração é o maior problema do jogo. Qualquer jogador deverá conseguir chegar ao fim de Heavenly Sword em menos de 8 horas, já que o jogo é curto e não oferece grande resistência até ao boss final. Este aspecto pode afastar os hardcore gamers que procuram desafios mais exigentes. Mas Heavenly Sword é mesmo assim, é uma história para ser vista e jogada do principio ao fim, acessível a todos os jogadores e relativamente fácil de concluir. Não seria justo ir ver um filme e ficar bloqueado a meio numa cena que não conseguimos passar…

O problema da longevidade poderá ser atenuado com updates futuros, como por exemplo o modo online ou níveis adicionais. Para já está tudo em aberto. Como em qualquer blockbuster, o sucesso garante uma sequela, e já se diz por aí que Heavenly Sword foi pensado como uma triologia.

Heavenly Sword conseguiu atingir um nível nunca antes visto e prende-nos à PlayStation até ao fim. É de jogar e chorar por mais, principalmente de chorar por mais já que num fim de semana vão conseguir jogar tudo.

9

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One Response to “Heavenly Sword”

  1. Esse jogo é bem legal a história é muito bonita a jogabilidade a trilha sonora o grafico tanto dos senarios cuanto o dos personagens são perfeitas,mas todo mudo que jogou diz que é estremamente curto pra mim não importa se o jogo é curto ou não ,eu não sou destes que termina o jogo um vez e depois deixa encostado na estante.
    Eu não paguei 250 reais em um jogo pra terminar só uma vez!!!

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