Jericho, de Clive Barker, é um misto de First Person Shooter, Survival Horror e Role Playing Game. Se a ideia de ver muito sangue e tripas a saltar em alta definição não te agrada, podes parar de ler já.

Prepara-te para uns sustos valentes.
No entanto, se és fan de ambientes de terror, histórias fantásticas e do género “mata resmas de zombies”, este jogo pode ser para ti. Clive Barker é um mestre nesta área, e Jericho chega à PlayStation 3 com a sua assinatura. A atmosfera sombria é fantástica e a lanterna é um acessório essencial.
Jericho é o nome de uma unidade especial do exército composta por 7 elementos, treinados como soldados tradicionais e detentores de poderes paranormais. Estes 7 magníficos são responsáveis por manter o “firstborn”, um rascunho que Deus deitou fora, longe da nossa realidade. A nossa missão leva-nos à cidade de Al Khali, onde forças malignas se preparam para invadir o nosso mundo.
O jogo começa como um First Person Shooter normal, onde controlamos Ross, um dos elementos da equipa. Quando começamos a habituar-nos ao sistema de jogo, Ross morre e algo de fantástico acontece. O espírito de Ross continua presente, e pode ocupar o corpo de qualquer um dos 6 companheiros. A partir daí temos carta branca para saltar de corpo em corpo e controlar toda a equipa.
Dominar cada personagem e as suas habilidades especiais torna-se então essencial. Podemos usar snipers, granadas, pistolas, invocar demónios de fogo e ressuscitar companheiros, entre outras coisas. Para usar o poder certo, só temos de entrar no corpo do personagem respectivo.
Até este ponto Jericho promete imenso, com uma história misteriosa, gráficos excelentes e a possibilidade de controlar vários personagens completamente diferentes. Mas ao longo do jogo todas as nossas esperanças vão caindo por terra.

Esta é a nossa super-equipa.
Grande parte do jogo é passado em corredores ao estilo dos FPS da velha guarda, e não há variedade suficiente no desenho dos níveis para nos surpreender. Os diálogos da equipa durante o jogo são bem-vindos, mas começam a tornar-se repetitivos demais. À décima vez que alguém grita “it’s a trap”, deixa de ter piada.
O problema mais grave de Jericho é a (falta de) inteligência artificial da nossa equipa. Enquanto controlamos um personagem, esperamos que os outros façam o seu papel, se mantenham vivos e usem os seus poderes para destruir os inimigos. Infelizmente parece que os programadores se esqueceram de lhes incutir instinto de sobrevivência. Todos eles morrem muito facilmente, e deixam para o jogador todo o trabalho árduo.
Podemos dar ordens à equipa, mas estamos limitados a mandar avançar ou parar. Há situações em que mais vale mandar os companheiros parar, ir matar o monstro que nos espera mais à frente, e chama-los depois. Pelo menos assim não atrapalham, e se morrermos podemos encarnar em algum dos outros que ficaram a salvo. Seria com certeza mais interessante atacar logo em conjunto e ter superioridade numérica, mas a certa altura deixamos de confiar na IA da equipa.
O padre tem a capacidade de ressuscitar os companheiros, e o nosso personagem (seja ele qual for) também tem essa habilidade. Isso quer dizer que nunca compensa controlar o padre, porque 2 ressuscitam muito mais do que 1. E como os nossos colegas têm uma tendência quase suicida para se deixarem matar, estamos permanentemente a traze-los de volta à vida. Este processo torna-se frustrante quando damos por nós a correr de um lado para o outro para salvar toda a gente, e não a matar monstros que devia ser a nossa missão principal.

Matar todo o tipo de demónios é a nossa profissão.
Quando a dificuldade aumenta começa a ser frustrante não atingir os checkpoints e ter que voltar atrás vezes sem conta. Os inimigos que mais contribuem para as mortes sucessivas são os que explodem ao morrer. Com tantos corredores estreitos e falta de margem para manobrar, um inimigo explosivo leva quase sempre alguém com ele.
As cenas que nos obrigam a carregar numa sequência de botões que surge no ecrã parecem estar na moda, mas quando isso acontece num First Person Shooter, é capaz de ser demais. Estes “mini-jogos” não trazem nada de novo e cortam o ritmo da acção. Os loadings são muito frequentes durante o jogo, e são sempre acompanhados de um texto que revela mais um pouco da história e supostamente ajuda a passar o tempo. Não se compreende a opção de fazer o texto aparecer tão devagar que mesmo depois do loading estar completo ainda temos que esperar que o resto do texto apareça no ecrã. Conseguiram assim juntar o inútil ao desagradável.
Jericho não tem qualquer forma de multiplayer, outra opção difícil de aceitar. Com uma equipa de 6 soldados tão diferentes, seria uma experiência extraordinária poder jogar em colaboração com alguns amigos online. Mas esqueçam, não existe nada disso, quando terminarem o jogo em singleplayer (ou se fartarem de tentar), acabou.
Jericho é um jogo que alguns gamers vão amar, outros vão odiar, mas a grande maioria vão amar e odiar ao mesmo tempo, à medida que momentos brilhantes alternam com combates ridiculamente difíceis. Recomenda-se apenas a apreciadores fanáticos do género.
7