Escrito por Fernando Amaral on September 18, 2007

Rainbow Six: Vegas

 

O mundo actual está cheio de terroristas, basta ver séries como 24 para constatar essa realidade. Desta vez resolveram atacar a cidade do pecado, Las Vegas, e alguém tem que restabelecer a ordem. Esse alguém és tu, ao comando da equipa Rainbow Six, em mais um FPS estratégico.

Se estavam à espera de luzes brilhantes e slot machines, o início do jogo vai ser uma desilusão. Começamos numa poeirenta cidade mexicana onde os locais não são muito amigáveis. Temos que cumprir a nossa missão no México antes da história dar uma volta e nos largar em Las Vegas.

Jogamos no papel de Logan,o líder de uma pequena equipa de 3 elementos especializada em contra-terrorismo. Desde salvar refens a eliminar inimigos, passando por hackar sistemas informáticos, este trio maravilha é capaz de desempenhar qualquer missão. Podemos dar ordens aos nossos companheiros, mas não individualmente. Simplifica-se o jogo mas perde-se alguma estratégia.

Rainbow Six: VegasA jogabilidade está muito bem conseguida, seja numa velha igreja mexicana ou num moderno restaurante no topo de um arranha céus em Vegas, dá sempre muito gozo infiltrar a nossa equipa e aniquilar quem ousar oferecer resistência. Sendo um FPS táctico, é tão importante saber planear os ataques como ter boa pontaria no meio da acção.

A maior novidade é o sistema de cobertura. Podemos esconder-nos atrás de esquinas e objectos, passando a uma vista na 3ª pessoa. A partir dessa posição conseguimos disparar às cegas, ou espreitar e apontar para eliminar os inimigos. Vão usar estes movimentos a toda a hora, e vão ver que funciona muito bem, com algumas excepções ocasionais.

Outra novidade é a possibilidade de fazer rappel para descer de helicopteros ou pelo lado de fora de edificios, entrando pelas janelas para surpresa completa dos terroristas. Podemos até descer de cabeça para baixo armados em homem-aranha para ver melhor o que nos espera. Normalmente há sempre a possibilidade de entrar pela porta como gente normal, ficando ao nosso critério como devemos abordar cada situação.

A história de Rainbow Six: Vegas não vai ganhar o melhor argumento original em lado nenhum, mas serve como desculpa para a sequência de missões que temos pela frente. As interrupções ao jogo para desenvolver o enredo são breves, e muitas vezes podemos até continuar a jogar ao mesmo tempo.

Rainbow Six: VegasNão procurem a barra indicadora da vida, ela não existe. Quando somos atingidos a nossa visão começa a escurecer, e se não conseguirmos fugir das balas morremos rapidamente. Mas se aguentarmos alguns segundos fora do alcance do fogo inimigo, voltamos ao estado normal e estamos prontos para outra. Isto quer dizer que no modo normal o jogo é relativamente fácil, mas no modo realista a quantidade de danos que podemos absorver é muito menor. Os nossos companheiros também podem morrer, o que significa game over. Mas normalmente quando são atingidos ficam a contorcer-se no chão e temos algum tempo para lhes dar uma injecção milagrosa que os coloca de novo em combate.

O pormenor da snake cam controlada pelo SIXAXIS está fantástico. A snake cam permite espreitar por baixo de portas fechadas e o sensor de movimento adapta-se na perfeição ao conceito. Graças a este instrumento podemos planear calmamente um ataque antes de abrir a porta e começar a disparar. Podemos ainda usar um explosivo, granada ou flashbang para aumentar a surpresa e a destruição.

A equipa pode avançar em modo de infiltração ou de assalto, que é como quem diz, respondendo apenas ao fogo inimigo ou disparando sobre tudo o que mexe. As armas são reproduções fieis das usadas pelos exércitos, policias e terroristas do mundo real. Somos livres de escolher o nosso arsenal, e ainda de equipar vários tipos de acessórios como miras, silenciadores, etc… As escolhas que fazemos vão influenciar o jogo, mas caso seja necessário podemos sempre largar as nossas armas e apanhar as que os terroristas mortos já não precisam.

Quando estiverem fartos de jogar sozinhos com os 2 companheiros virtuais, podem dedicar-se ao jogo multiplayer online. Há muitos mapas e modos de jogo para escolher, que garantem um festim para aqueles que gostam mesmo de dar tiros em adversários humanos através da net. O jogo online é muito mais rápido e agressivo que na missão single player onde tudo é mais prevísivel.

Rainbow Six falha em alguns aspectos essenciais da nova geração de jogos. Os gráficos são bons mas não são brilhantes, e a interacção com o ambiente também podia ir mais além. Os efeitos sonoros são muito bons durante todo o jogo, mas quando a personagem que nos dá instruções comunica há sempre algum ruido e o volume é exagerado e um pouco irritante. Apenas por esta razão não é aconselhado jogar com o volume no máximo, o que seria uma experiência fantástica durante os combates.

Este Rainbow Six de Tom Clancy é um bom jogo, se nunca jogaram têm muitas horas de diversão garantidas, sozinhos e online. No entanto fica a sensação de que a Ubisoft podia ter feito melhor.

8
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